A marca de marroquinaria Cavalinho já tem disponível para visita gratuita «o maior presépio em movimento do mundo», com 1500 metros quadrados de exposição, mais de 7000 peças de artesanato e várias figuras em tamanho real.
Jacinto Azevedo é o director da empresa que já dinamiza o projecto há sete anos e revelou à agência Lusa que, depois de em 2010 ter recebido nesse espaço mais de 200.000 pessoas, «a contar por baixo», espera agora que, até final de Fevereiro, sejam mais de meio milhão os visitantes do presépio que, em S. Paio de Oleiros, na Feira, combina elementos religiosos tradicionais com vários aspectos pagãos.
«Temos aqui mais de 7000 peças de artesanato e mais de 95% deste material foi criado por encomenda», revela Jacinto Azevedo. «Pela pesquisa que fizemos e pelo que nos dizem os artesãos espanhóis e italianos que trabalham para nós e para vários outros países, este é o maior presépio em movimento do mundo», disse.
A estrutura base da composição fica montada de ano para ano, com percursos de água onde há peixes e musgo reais, e em Março começam os arranjos mais profundos de manutenção, a que se segue a montagem das decorações em meados de Junho.
Todas essas tarefas são desempenhadas por alguns funcionários da Cavalinho e vários colaboradores que ajudam na carpintaria, serralharia, electricidade e robótica, sendo que «chegam a trabalhar no presépio 24 pessoas em simultâneo, às vezes desde as cinco ou seis da manhã até às nove da noite».
O director garante que «todos trabalham por amor ao projecto», que surgiu do seu gosto pessoal por presépios e cascatas sanjoaninas, e é «financiado totalmente pela Cavalinho, sem ajuda de quaisquer entidades públicas, nem a nível financeiro, nem a nível de estruturas de apoio».
Cinco grandes áreas para entretenimento do público, todas activadas por sensores de movimento para evitarem desperdício de energia em períodos de menor afluência, resultam do esforço da empresa e da «dedicação dos seus amigos».
Por exemplo, na fachada da empresa há uma pista de comboio, uma linha de teleférico, várias casas em lousa, bombeiros que combatem um incêndio, monges de boca coberta e barcos moliceiros, enquanto na lateral da fábrica se encontram réplicas de lenhadores, barbeiros e vindimadores.
Na chamada gruta, em frente à fábrica, há uma nave espacial, ciclistas que fazem a Volta a Portugal num percurso ladeado pelo comboio, um urso polar, uma procissão com arcos iluminados, cascatas de águas, uma banda de pais-natal e a Branca de Neve e os sete anões.
Segue-se a secção dos cenários em tamanho real, com a aparição da Senhora de Fátima aos pastorinhos e «as grandes novidades deste ano», o presépio e a bênção do Papa João Paulo II à irmã Lúcia, figuras que trajam «réplicas rigorosas» e foram concebidas por fabricantes de manequins de forma a exibirem as verdadeiras feições das personalidades retratadas.
Depois, há ainda a área dedicada à vida de Cristo e à época em que este viveu, que foi este ano aumentada em 48 cenas, inclusive o Recenseamento ordenado por David, o casamento de Maria e José, e a apresentação do Menino aos Reis Magos.
«Este é um dos eventos que mais visitantes traz à Feira, sobretudo excursões de escolas e lares de idosos, e as pessoas saem daqui encantadas», afirma Jacinto Azevedo. «Preocupa-nos muito o futuro, porque o próximo ano vai ser de razia total; mas, enquanto pudermos, a Cavalinho vai continuar a ter o maior presépio do mundo, e ele sempre foi pensado como gratuito, para toda a gente o poder ver», assegura. TVI24






