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Carlos Paredes

Colocado por em Jul 30th, 2011 na(s) categoria(s) Fotos, Músicas, Vídeos. Pode seguir todos os comentários a este texto através de RSS 2.0. Pode comentar ou fazer trackback deste texto

 

Carlos Paredes (Coimbra, 16 de Fevereiro de 1925 — Lisboa, 23 de Julho de 2004) foi um compositor e guitarrista português.

Foi um dos grandes guitarristas e é um símbolo ímpar da cultura portuguesa. É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa e grande compositor. Carlos Paredes foi um guitarrista que, para além da influência dos seus antepassados – pai, avô, e tio, tendo sido o pai, Artur Paredes, o grande mestre da guitarra de Coimbra – manteve um estilo Coimbrão.

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Vida

Vida

Filho de um famoso compositor e guitarrista, mestre Artur Paredes, neto e bisneto de guitarristas, Gonçalo Paredes e António Paredes, começou a estudar guitarra portuguesa aos quatro anos com o seu pai, embora a mãe preferisse que o filho se dedicasse ao piano; frequenta o Liceu Passos Manuel, começando também a ter aulas de violino na Academia de Amadores de Música. Na sua última entrevista, recorda:

“Em pequeno, a minha mãe, coitadita, arranjou-me duas professoras de violino e piano. Eram senhoras muito cultas a quem devo a cultura musical que tenho.”

Em 1934, a família muda-se para Lisboa, o pai era funcionário do BNU e vem transferido para a capital. Abandona a aprendizagem do violino para se dedicar completamente à guitarra, sob a orientação do pai.

Carlos Paredes fala com saudades desses tempos:

“Neste anos, creio que inventei muita coisa. Criei uma forma de tocar muito própria que é diferente da do meu pai e do meu avô.”

Carlos Paredes inicia em 1949 uma colaboração regular num programa de Artur Paredes na Emissora Nacional e termina os estudos secundários num colégio particular. Não chega a concluir o curso liceal e inscreve-se nas aulas de canto da Juventude Musical Portuguesa, tornando-se em 1949 funcionário administrativo do Hospital de São José.

Em 1957 grava o seu primeiro disco, a que chamou simplesmente “Carlos Paredes“. Em 1958, é preso pela PIDE por fazer oposição a Salazar, é acusado de pertencer ao Partido Comunista Português, do qual era de facto militante, sendo libertado no final de 1959 e expulso da função pública na sequência de julgamento. Durante este tempo andava de um lado para o outro da cela fingindo tocar música, o que levou os companheiros de prisão a pensar que estaria louco – de facto, o que ele estava a fazer, era a compor músicas na sua cabeça. Quando voltou para o local onde trabalhava no Hospital, uma das ex-colegas, Rosa Semião, recorda-se da mágoa do guitarrista devido à denúncia de que foi alvo: «Para ele foi uma traição ter sido denunciado por um colega de trabalho do hospital. Contudo, mais tarde, ao cruzar-se com um dos homens que o denunciou, não deixou de o cumprimentar, revelando uma enorme capacidade de perdoar!»

Em 1962, é convidado pelo realizador Paulo Rocha para compor a banda sonora do filme Os Verdes Anos:

«Muitos jovens vinham de outras terras para tentarem a sorte em Lisboa. Isso tinha para mim um grande interesse humano e serviu de inspiração a muitas das minhas músicas. Eram jovens completamente marginalizados, empregadas domésticas, de lojas. Eram precisamente essas pessoas com quem eu simpatizava profundamente, pela sua simplicidade.»

Tocou com muitos artistas, incluindo Charlie Haden, Adriano Correia de Oliveira e Carlos do Carmo. Escreveu muitas músicas para filmes e em 1967 gravou o seu primeiro LP “Guitarra Portuguesa“.

Quando os presos políticos foram libertados, depois do 25 de Abril de 1974, eram vistos como heróis. No entanto, Carlos Paredes recusou sempre esse estatuto dado pelo povo. Nunca gostou muito de falar sobre o tempo que esteve preso. Dizia que havia pessoas que sofreram mais do que ele. É reintegrado no quadro do Hospital de São José e percorre o país actuando em sessões culturais, musicais e políticas em simultâneo, mantendo sempre uma vida simples e, por incrível que possa parecer, a sua profissão de arquivista de radiografias.

Várias compilações de gravações de Carlos Paredes são editadas, estando desde 2003 a sua obra completa reunida numa caixa de oito CDs.

A sua paixão pela guitarra era tanta que, conta que certa vez, a sua guitarra se perdeu numa viagem de avião e ele confessou a um amigo que «pensou em se suicidar».
Uma doença do sistema nervoso central (mielopatia), impediu-o de tocar durante os últimos 11 anos da sua vida. Morreu em 23 de Julho de 2004 na Fundação Lar Nossa Senhora da Saúde em Lisboa, tendo sido decretado Luto Nacional.

“Quando eu morrer, morre a guitarra também. O meu pai dizia que, quando morresse, queria que lhe partissem a guitarra e a enterrassem com ele. Eu desejaria fazer o mesmo. Se eu tiver de morrer.”

Carlos Paredes

 

Obras

Obras

Álbuns

* 1967 – Guitarra portuguesa
* 1971 – Movimento perpétuo
* 1980 – O oiro e o trigo (editado na RDA)
* 1983 – Concerto em Frankfurt
* 1987 – Espelho de Sons
* 1989 – Asas Sobre o Mundo
* 1994 – O Melhor dos Melhores
* 1996 – Na corrente (compilação de material inédito)
* 2000 – Canção para Titi: os inéditos 1993

Álbuns em colaboração

* 1970 – Meu país (de Cecília Melo)
* 1975 – É preciso um país (com Manuel Alegre)
* 1986 – Invenções Livres (com António Vitorino d’Almeida)
* 1990 – Dialogues (com Charlie Haden)

Antologias

* 1998 – O Melhor de Carlos Paredes : Guitarra
* 2002 – Uma Guitarra com Gente Dentro
* 2003 – O Mundo segundo Carlos Paredes (obra completa)

EPs

* 1957 – Carlos Paredes
* 1962 – Verdes anos (banda sonora)

Filmes

A música de Carlos Paredes, composta com esse fim ou não, foi utilizada em diversos filmes:

* 1960 – Rendas de metais preciosos (de Cândido da Costa Pinto)
* 1962 – Verdes anos (de Paulo Rocha) – P.X.O. (de Pierre Kast e Jacques Doniol-Valcroze)
* 1964 – Fado corrido (de Jorge Brum do Canto)
* 1965 – As pinturas do meu irmão Júlio (de Manoel de Oliveira)
* 1966 – Mudar de vida (de Paulo Rocha) – Crónica do esforço perdido (de António de Macedo)
* 1968 – A cidade (de José Fonseca e Costa) – Tráfego e estiva (de Manuel Guimarães)
* 1969 – The Columbus route (de José Fonseca e Costa) – Na corrente (documentário para a televisão de Augusto Cabrita, composto de improviso)
* 1970 – Hello Jim (de Augusto Cabrita)
* 2006 – Movimentos Perpétuos: Tributo a Carlos Paredes (de Edgar Pêra)

Outros

* 1971 – Paredes compôs a música para a peça “O avançado centro morreu ao amanhecer” de Augustin Cuzzani, encenada pelo Grupo de Teatro de Campolide
* 1982 – “Danças para uma guitarra”, coreografia de Vasco Wellenkamp sobre música de Carlos Paredes
* 1984 – Compôs a música para a peça “O Avarento”, de Molière, produção do Teatro Na Caixa, encenada por Adolfo Gutkin
* 1989 – Paul McCartney integra o tema “Dança” na música ambiente da sua digressão mundial
* 1991 – Acompanhado por Luísa Amaro, é convidado especial de um concerto que os Madredeus realizaram no Coliseu dos Recreios de Lisboa, posteriormente editado com o título “Lisboa”
* 1992 – A RTP grava um espectáculo de Carlos Paredes (acompanhado por Luísa Amaro e Fernando Alvim) e com a participação, entre outros, de Nuno Guerreiro, Mário Laginha e Rui Veloso

 
 

(Fonte: Wikipédia)

Categories: Fotos, Músicas, Vídeos
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