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Origem
Estes festejos, que fizeram a fama de Tomar, têm origem nas festas do imperador, instituídas por D. Dinis e pela Rainha Santa, no quadro do culto do Espírito Santo. Por outro lado, também podem ser associadas às práticas ancestrais de entrega das premícias das colheitas aos Deuses e de celebração da fertilidade da terra. Uma componente mais recente, também presente nas Festas dos Açores, com o seu quê de inspiração franciscana, é a celebração igualitária da fraternidade e da partilha dos frutos da terra: o bodo e a ceia comum. Segundo alguns autores a sua origem encontra-se nas festas de colheitas à deusa Ceres.
Repare-se que Tomar era sede Templária, e a ordem do Templo foi sempre acusada pela inquisição de desvios doutrinários, senão de heresia, até ser extinta pelo Papa Clemente V em 1307.
Os símbolos do Espírito Santo estão bem presentes no alto tabuleiro que as raparigas transportam no cortejo: no topo, a pomba e a coroa; de alto a baixo, os pães enfiados em cana (aos quais se atribuíam virtudes milagrosas), flores de papel (tradicionalmente papoilas) e espigas.
No século passado encontram-se referências às festas do Espírito Santo, e até 1895 fazia-se o cortejo anual à Sexta-feira, por alturas do dia 20 de Junho. Depois de 1914, passou a fazer-se ao Domingo.
A antiga tradição do sacrifício dos bois, cuja carne seria depois distribuída por todos (como acontecia no penedo, após a tourada à corda), manteve-se até 1895. A partir de 1966, os bois do Espírito Santo voltaram ao cortejo, mas agora só com funções simbólicas.
A Festa dos Tabuleiros ou Festa do Divino Espírito Santo é uma das manifestações culturais e religiosas mais antigas de Portugal. Segundo os investigadores, a sua origem encontra-se nas festas de colheitas à deusa Ceres. A sua cristianização pode dever-se à Rainha Santa Isabel, que lançou as bases do que seria a Congregação do Espírito Santo, movimento de solidariedade cristã que em muitos lugares do reino absorveu as primitivas festas pagãs.
O ponto alto das festividades, que juntava ricos e pobres sem qualquer distinção, ocorria no Domingo de Pentecostes, dia em que as línguas de fogo desceram sobre os Apóstolos simbolizando a igualdade de todos perante Deus.
Esta Festa de «Acção de Graças» e de oferendas manteve as suas características inalteráveis até ao século XVII. Algumas das alterações que foram surgindo justificam-se no sentido de conferir uma maior grandiosidade a esta Festa. A tradição continua, e muitas das suas cerimónias como o Cortejo da chegada dos Bois do Espírito Santo, que tem o nome de Cortejo do Mordomo, o Cortejo dos Tabuleiros, a sua bênção, a forma do tabuleiro, os vestidos das raparigas portadoras dos Tabuleiros e a Pêza, ou distribuição do pão e da carne, mantêm-se. Há alguns anos, começou também a distribuir-se vinho.
A principal característica da Festa dos Tabuleiros é o Desfile, ou Procissão, com um número variável de tabuleiros, em que estão representadas as dezasseis freguesias do concelho. Esta procissão de dignidade, cor, brilho e emoção, percorre as principais ruas da cidade, num percurso de cerca de 5 Km, por entre colchas pendentes nas janelas, milhares de visitantes nas ruas e uma chuva de pétalas que de forma entusiástica é lançada sobre o Cortejo.
A Festa é do Tabuleiro que deve ter a altura da rapariga que o leva à cabeça, sendo constituído por trinta pães enfiados em cinco ou seis canas que partem de um cesto de vime, ou verga, e é rematado ao alto por uma coroa encimada pela Pomba do Espírito Santo ou pela Cruz de Cristo.
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A Festa
O início da Festa dos Tabuleiros é marcado pela chamada do povo para uma reunião pública, convocada pelo Presidente da Câmara, para o Salão Nobre dos Paços do Concelho, onde se decide se há Festa dos Tabuleiros no ano seguinte; se a opinião do povo for favorável, é escolhido o Mordomo. Após a decisão, se o povo decidir pela positiva, são lançados três foguetes para anunciar ao povo a sua realização.
Porquê tanto tempo de antecedência?
A Festa dos Tabuleiros engloba vários Cortejos, o trabalho de várias centenas de pessoas que durante mais de seis meses confeccionam as flores que vão ornamentar os tabuleiros e decorar as ruas populares, a maioria situadas no centro histórico da cidade.
A necessidade de planear, de organizar e de angariar fundos e subsídios, obriga a que se começar a trabalhar com muito tempo de antecedência (mudança dos tempos).
Por outro lado, a Festa engloba várias cerimónias tradicionais: Cortejo das Coroas, Cortejo dos Rapazes, Cortejo do Mordomo (chegada dos Bois do Espírito Santo), abertura das Ruas Populares Ornamentadas, Cortejos Parciais, Jogos Populares, Grande Cortejo (Cortejo dos Tabuleiros) e a Pêza, que precisam de ser pensadas e organizadas devidamente, porque o fundamental é cumprir o que os nossos bisavós e avós também fizeram: manter a tradição e principalmente respeitá-la.
Além destas cerimónias tradicionais, decorrem durante o período da Festa vários espectáculos culturais e recreativos, que são uma mostra do que de melhor fazem as várias Associações do Concelho.
Após a eleição, o Mordomo começa os contactos necessários à constituição da Comissão Central onde se encontram os Mordomos responsáveis pelas várias Comissões sectoriais como por exemplo: Cortejo, Bodo, Mordomo, Rapazes, Ornamentações, Ruas Populares ornamentadas, Logística, Contactos Institucionais, Gestão Financeira, Serviços Jurídicos, Programa Cultural, Angariação de Fundos, Trânsito e Transportes, Feira e Arraial, Publicidade e Marketing, Espectáculos Populares, Secretariado, Relações Públicas, Comunicação e Som e Serviços Técnicos. Por inerências dos seus cargos, o Presidente da Câmara, o Prior e o Provedor da Misericórdia são membros efectivos da Comissão Central.
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Cortejo das Coroas
Apesar da decisão da realização da Festa dos Tabuleiros ser tomada com um ano de antecedência, as cerimónias só têm início no Domingo de Páscoa do ano seguinte. O Cortejo das Coroas é o primeiro acto solene da Festa dos Tabuleiros e destinava-se, antigamente, a anunciar à população a próxima celebração da sua Festa maior. No chamado terceiro ciclo da Festa (depois de 1950), o Cortejo sai da Misericórdia, fiel depositária do Pendão e Coroas da cidade de Tomar, dirige-se à Igreja de S. João Baptista ou Igreja de Santa Maria do Olival, onde é celebrada a Missa Solene do Espírito Santo na presença das Coroas e dos Pendões que são colocados na capela-mor. Terminada a Missa, o primeiro cortejo das coroas percorre o itinerário do Cortejo dos Tabuleiros.
Como é uma Festa religiosa, há sete saídas de Coroas. 7 é o número perfeito a nível da Igreja Católica: 7 dias da semana; 7º dia é o da plenitude da caminhada (quando Deus descansou); 7 Dons do Espírito Santo; 7 domingos da Páscoa ao Pentecostes quando se celebra a plenitude da Vida Nova.
A primeira saída é no Domingo de Páscoa, a segunda no Domingo de Pascoela e as restantes de quinze em quinze dias até ao dia 24 de Junho, último Cortejo de Coroas antes da Festa dos Tabuleiros. O percurso das restantes saídas de Coroas é variável e tem sido adaptado ao crescimento da cidade, pretendendo-se levar o anúncio da Festa à maioria dos habitantes.
As ruas são decoradas com colchas coloridas nas janelas e o chão com verdura. À passagem do Cortejo, o povo vai lançando flores criando assim um efeito de cor ímpar e o clima de alegria que se vive sempre em anos de Festa dos Tabuleiros.
A antecipar o Cortejo, e bem à frente, vai o fogueteiro anunciando a aproximação da procissão; em seguida, vêm os gaiteiros e tamborileiros, a Banda, o Pendão do Espírito Santo, as três Coroas do Espírito Santo da cidade, as dezasseis Juntas de Freguesia representadas por um Pendão e por uma Coroa, os membros das diferentes Comissões e o povo.
Nas demais saídas vai havendo rotatividade entre as dezasseis Juntas de Freguesia que só se voltam a juntar no dia do Cortejo dos Tabuleiros.
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Cortejo dos Rapazes
Desde o início das suas actividades, os Jardins de Infância e Escolas de 1º ciclo do concelho de Tomar tiveram como filosofia trabalhar junto da comunidade local dando a conhecer o meio, preservando a cultura e tradições e principalmente transmitindo esses valores às crianças com quem trabalhavam. Desta ideia inicial e com o aproximar da Festa dos Tabuleiros de 1991 rapidamente se passou, com o apoio dos elementos da Comissão de então, dos pais e das crianças, para uma ideia mais arrojada: porque não participar e reviver o «Cortejo dos Rapazes» que se tinha realizado a última vez em 1892?
Tudo é feito como se se tratasse do Cortejo dos Tabuleiros dos «adultos». As crianças levam os trajes de tradição: as meninas vestidas de branco com uma fita de cor à cintura e à tiracolo, sogra ou rodilha, e transportam o tabuleiro que terá a sua altura; os rapazes trajam calça preta, cinta preta, barrete preto no ombro, camisa branca e gravata habitualmente da cor da fita da menina. A alegria e o entusiasmo da população foi tanta, que em 1995 o número de crianças já foi maior e no Cortejo dos Rapazes de 2003 estiveram envolvidas cerca de duas mil crianças dos Jardins de Infância e Escolas do 1º ciclo do concelho.
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Cortejo do Mordomo
A origem do «Cortejo do Mordomo» perde-se no tempo. De início, seria um hino à abundância simbolizada nos bois que iriam ser abatidos para o Bodo.
«Os Bois do Espírito Santo», como eram chamados, desfilavam perante o olhar da população, sendo posteriormente abatidos e a carne distribuída a toda a população, ricos e pobres, em memória de um mundo novo e fraterno.
Desde 1966 que os bois já não são abatidos e a carne não é distribuída a todos passando a ser distribuída unicamente pelas famílias carenciadas. A carne é obtida junto dos proprietários dos talhos.
No entanto a tradição mantém-se: os bois são enfeitados com colares e brincos de flores, desfilando pelas ruas da cidade ao som de foguetes, gaiteiros e banda de música. A acompanhar vão algumas charretes que transportam os Mordomos e convidados e vários cavaleiros.
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Ornamentação das Ruas
A Festa dos Tabuleiros é, essencialmente, uma festa de cor e movimento. Uma das formas mais características da população mostrar a alegria pela realização da Festa, é a ornamentação das suas ruas, chamadas de populares porque a maioria se encontra no chamado centro histórico da cidade onde o bairrismo ainda vive.
Assim, centenas de pessoas trabalham milhares de horas, durante mais de seis meses, a confeccionar milhares de flores de papel com que vão ornamentar as suas ruas. A ornamentação é da sua autoria e responsabilidade e o segredo é sempre mantido até à noite de sexta-feira, quando se dá a abertura oficial das ruas populares. O talento e o trabalho dos «decoradores» é premiado e avaliado pela Comissão, que oferece placas que premiam, por exemplo, a Cor, a Harmonia, a Tradição, sendo contempladas todas as ruas concorrentes.
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Cortejos Parciais
No sábado de manhã, decorrem os chamados «Cortejos Parciais». A necessidade de reunir os Tabuleiros das diferentes freguesias para o Cortejo de Tabuleiros levou, a partir dos anos 50, à introdução de um elemento novo – um desfile em separado dos tabuleiros das diversas freguesias que, partindo de um local previamente escolhido, passam junto ao edifício dos Paços do Concelho onde são recebidos pelo Mordomo, Presidente da Câmara e Vereação, dirigindo-se para a Mata Nacional dos Sete Montes onde ficam em exposição até ao Cortejo de domingo.
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Jogos Populares
A inspiração vem de tempos recuados, pois a Festa dos Tabuleiros era o grande acontecimento que atraía a Tomar a população das redondezas que se deslocava, como era habitual na época, a pé, de carroça ou sobre os muares.
A corrida de burros era a parte mais animada e interessante da festa. Em 1964, realizaram-se os primeiros Jogos Populares, adaptando-se os jogos tradicionais inspirados no trabalho da nossa gente rural (corte de troncos a machado e corte de troncos a serrote).
Cada freguesia tem um representante em cada jogo, excepto no chinquilho (equipa), na gincana de burros (um rapaz e uma rapariga), na luta de tracção (equipa) e no corte de troncos a serrote (dois homens). Além destes jogos, também se disputam a corrida de carroças, a acorrida de cântaros, a subida de mastro, a corrida de sacos, a corrida de pipas, a corrida de púcaros e o corte de troncos a machado.
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Cortejo dos Tabuleiros
O motivo principal da Festa dos Tabuleiros é o Grande Cortejo dos Tabuleiros, que adquiriu tanta importância que deu o nome à Festa que hoje só é conhecida por Festa dos Tabuleiros.
O Dr. Fernando Araújo Ferreira (1912-1998), jornalista e escritor nabantino, dá esta descrição do tabuleiro:
«O tabuleiro é um hino de cor. Um poema nascido da arte popular tomarense. Das mãos e inspiração do seu povo. Obedecendo a regras tradicionais, é ele que o arma é ele que o ornamenta. De gerações em gerações passou o jeito, a herança bonita. O Tabuleiro é uma oferta de pão, por isso o pão deve ficar à vista, a ornamentação pertence ao gosto de quem o decora, com flores de papel e verdura se for caso disso. O Cortejo vive e encanta pela variedade de cores e ornamentações.»
A emoção que percorre participantes e assistentes durante o Cortejo, está patente na descrição feita pelo historiador Dr. Manuel Guimarães:
«As raparigas, figuras principais, desfilam em duas longas filas ao lado dos seus ajudantes (os rapazes) que seguem do lado de dentro, mas sempre atentos às companheiras. Dirigem-se à Praça da República, onde o Cortejo enrola harmoniosamente até preencher sem sobressaltos a placa central. Um representante da Igreja, paramentado, vem à Praça dar a bênção aos Tabuleiros. Depois, a um sinal do sino, é a elevação, um momento inesquecível. Uma moldura humana impressionante aplaude comovida este momento mágico, único, pela sua grandiosidade, simbolismo e beleza, único na nossa arte e na nossa cultura.»
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Bodo ou Pêza
Os bodos do Espírito Santo (refeição sagrada), foram instituídos pela Rainha Santa Isabel; em Tomar, os bodos passaram a designar-se Pêza. É o último acto de cada Festa dos Tabuleiros. Acontece no dia seguinte ao Cortejo dos Tabuleiros (segunda-feira) e seguindo a tradição, numa forma de agradecimento a Deus; é a partilha do pão, da carne e do vinho, agora só com os mais pequenos, os mais necessitados.
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Construção do Tabuleiro
1: Aparar das pontas das canas para entrarem melhor no entrançado do Cesto. Este deve ser posto de molho 12 horas antes, para que as canas entrem mais facilmente e, depois do tabuleiro seco, fiquem mais firmes.
2: Fixação das canas ao cesto, colocadas a igual distância. As canas, flexíveis e resistentes, são colhidas próximo da maturação.
3: Depois das canas colocadas, espetam-se os Pães (de 400 gr); estes pães são tipo “tabuleiros”, alongados e roliços.
4: Colocação da coroa.
5: Atar da coroa às canas.
6: Travagem dos pães entre si.
7: Colocação do arame grosso, desde a coroa ao cesto, passando pelo cruzamento das canas de travagem. Se a travagem pão a pão ficar bem firme, este procedimento pode ser dispensado.
8: Ornamentação da coroa, que pode ser enfeitada com papel, a condizer com a ornamentação geral do tabuleiro, ou pintada a dourado ou a prateado.
9: Colocação da verdura (neste tipo de ornamentação).
10: Preparação dos raminhos de flores.
11: Colocação dos raminhos.
12: Acabamento da ornamentação da coroa, antes da colocação da pomba.
13: Colocação da pomba e da toalha a envolver o cesto. A Pomba é, de preferência, a Pomba do Espírito Santo, mas pode ser substituída por uma cruz, especialmente se for uma Cruz de Cristo.
Fontes: Festa dos Tabuleiros – Wikipédia (adaptado)







Tantos sites a dizer a origem da Festa dos Tabuleiros, e eu agradeço, mas nenhum a dizer o significado dos símbolos da Festa dos Tabuleiros. Eu moro em Tomar (onde se realiza a festa dos Tabuleiros) e estou super ofendida, nenhum é capaz de referir isso, só dizem os símbolos não dizem o significado. Por Favor… (ironicamente, claro)
Olá Mariana,
Obrigado pelo seu comentário!
"Desafio" a Mariana ou qualquer outro leitor do site, com conhecimentos sobre o significado dos símbolos da Festa dos Tabuleiros, a contribuir com um comentário sobre os mesmos ou, em alternativa, uma adenda ao próprio artigo. Os créditos para este complemento ao artigo serão devidamente acautelados.
Cumprimentos – Carlos Pereira