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Desporto Lusófono: Dos Jogos da Lusófonia ao êxodo de atletas lusófonos

Colocado por em Abr 25th, 2010 na(s) categoria(s) Desporto, Fotos, Vídeos. Pode seguir todos os comentários a este texto através de RSS 2.0. Pode comentar ou fazer trackback deste texto

Apesar de Portugal ser um país bem antigo e ter “descoberto” as suas antigas colónias no séc. XV, o conceito “desporto lusófono” só começou a entrar no léxico desportivo no início deste século.

Foi depois de uma viagem a Manchester (Inglaterra), para assistir aos Jogos da Commonwealth, que o Comandante Vicente de Moura (actual presidente do COP) teve a ideia de realizar os Jogos da Lusofonia, maior competição desportiva lusófona feita até hoje.

A 8 de Junho de 2004 é criada, em Lisboa, a Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP) com o objectivo de reforçar os laços do mundo lusófono, assim como promover acções de cooperação desportiva, concretizando uma aspiração comum das diferentes comunidades que falam português.

Esta associação foi criada pelos Comités Olímpicos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Timor, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Guiné-Equatorial. Apesar deste último país ter como línguas oficiais o castelhano e o francês, foi admitido na ACOLOP por ter uma grande relação de amizade com Portugal e especialmente com os portugueses residentes nas antigas colónias da Índia.

Por falar em Índia, convém referir que esta nação (que tem como língua oficial o inglês) também entra na ACOLOP através da delegação de Goa, que continua a ter estreitos laços de amizade com Portugal, devido à presença dos portugueses naquela região até ao início dos anos 70.

Tal como Goa, o Sri Lanka também entra na ACOLOP como membro assistente, devido às suas relações históricas com Portugal e os portugueses.

Dois anos depois da criação da ACOLOP “nasceram” os Jogos da Lusofonia, cuja 1ª Edição teve lugar em Macau de 7 a 15 de Outubro de 2006. Nesta competição, o país que recebeu mais medalhas foi o Brasil, que acabou por conquistar 57 “rodelas” (29 de Ouro, 19 de Prata e 9 de Bronze).

A 2ª edição do maior evento desportivo lusófono foi disputada em Lisboa, de 11 a 19 de Julho de 2009, e o Brasil voltou a ser a nação mais medalhada, ao ganhar 76 medalhas (33 de Ouro, 23 de Prata e 20 de Bronze).

As próximas edições desta grandiosa competição desportiva serão realizadas na Índia (2013) e no Brasil (2017), em cidades ainda a designar.

Para além dos Jogos da Lusofonia, existe outro grande evento que junta vários atletas dos países que falam português: os Jogos Desportivos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (JDCPLP).

Esta “competição-salutar” é destinada apenas a jovens atletas (entre os 15 e os 17 anos) e tem como objectivo incutir a prática desportiva nos lusófonos de amanhã.

Por isso mesmo, este evento não distribui medalhas, nem tem a normal cerimónia dos hinos; apenas um convívio são e desportivo, de modo a haver uma comunidade lusófona mais forte e unida.

A cidade moçambicana de Maputo recebe em 2010 (de 29 de Julho a 7 de Agosto) a 7ª Edição dos JDCPLP, que foram criados a 20 de Janeiro de 1990, em Lisboa, por Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Para além de Moçambique, o evento já passou por quase todos os países que participam nesta salutar iniciativa, permitindo que todos os jovens lusófonos tenham contacto entre si.

Mas nem só de Jogos se faz o desporto lusófono. Podemos referir ainda que a partir de 1975 (após o 25 de Abril) houve um êxodo enorme de atletas lusófonos que espalharam o português pelos 4 cantos do mundo.

Os primeiros foram os futebolistas brasileiros, que “invadiram” a Europa para jogar naqueles que são considerados os maiores clubes do Mundo (Barcelona, Real Madrid, Inter de Milão e Manchester United, só para dar alguns exemplos), mas também há lá portugueses (Luís Figo, Simão Sabrosa, …) e angolanos (Manucho, Kali, …).

No início dos anos 90 apareceram vários basquetebolistas angolanos em Portugal (Jean Jacques e José Carlos Guimarães no Benfica, por exemplo) e vários jogadores brasileiros em Itália, sendo Óscar Schmit o mais carismático. Actualmente, podemos ver o angolano Joãozinho, na NBA, e a portuguesa Ticha Penicheiro, na WNBA.

No caso do Voleibol (masculino e feminino), a maior emigração é de atletas brasileiros que tentam a sua sorte em Portugal ou Itália, como é o caso de Ubirajara Pereira, Ana Paula Mancino ou a jovem Fabíola.

Nas restantes modalidades, apesar de haver grandes talentos, como Jéssica Augusto (Atletismo), César Cielo (Natação) e Diego Hipólito (Ginástica), entre outros, os atletas optam por ficar nos seus países, o que faz com que a comunidade lusófona (nesses desportos em particular) não seja uma das mais fortes do Mundo.

Jornalista: João Miguel Pereira

Categories: Desporto, Fotos, Vídeos
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2 Comentários para “Desporto Lusófono: Dos Jogos da Lusófonia ao êxodo de atletas lusófonos”

  1. Valeu pela matéria. Gostei muito de saber que as comunidades de língua portuguesa são unidas mutuamente pelo desporto… Sou angolano e do quadro de medalhas gostaria de parabenizar o Brasil e Portugal. Adorei.

    • paralaxe diz:

      Obrigado pelo seu comentário, Valdemar!

      Não é só o Brasil e Portugal que estão de parabéns! Os angolanos e os outros países da Lusofonia também estão de parabéns. Todos unidos, conseguimos mostrar que temos grandes valores no desporto e não só. As medalhas foram só o "catalisador" dos jogos que realizámos.

      É como um encontro de amigos numa cervejaria. As cervejas, os tremoços e as jingubas só servem para puxar pela língua…

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