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Desporto em Angola

Colocado por em Abr 23rd, 2010 na(s) categoria(s) Desporto, Fotos, Vídeos. Pode seguir todos os comentários a este texto através de RSS 2.0. Pode comentar ou fazer trackback deste texto

 

Até à sua independência, Angola era, desportivamente, o reflexo e o prolongamento da situação vivida na Metrópole: uma infraestrutura claramente insuficiente, um número baixíssimo de praticantes, fracas prestações nas competições internacionais. Um sistema desportivo em estado de subdesenvolvimento, que um investimento maior em dois desportos populares e míticos, o futebol e o hóquei em patins, não conseguia disfarçar. Não obstante o esforço desenvolvido nos últimos anos de colonização para dotar Angola de mais e melhores equipamentos desportivos e de um quadro competitivo mais alargado, o desporto na colónia reproduz com fidelidade o desporto metropolitano: os equipamentos concentram-se em Luanda e nas maiores cidades, o futebol capta o grosso das atenções e do orçamento desportivo, alguns clubes são verdadeiras filiais de clubes portugueses, existe um Benfica em Luanda, um Sporting em Cabinda, uma Académica no Lobito… E o desporto, na generalidade, é posto ao serviço do regime e propagandeia o regime vigente.

Depois do 11 de Novembro de 1975, o sistema desportivo que se começa a construir é radicalmente diferente na sua essência e conteúdos, e e impossível entendê-lo dissociando-o da opção pelo socialismo do partido no poder, o MPLA, e das estreitas relações existentes entre Angola e os países do então bloco socialista, nomeadamente com a URSS e com Cuba.

As duas grandes linhas de força do desenvolvimento desportivo, em que o Estado se empenha directa e activamente, são a massificação desportiva e a participação dos agentes desportivos na conceptualização e organização do sistema desportivo. A política de intervenção no movimento associativo traduz-se na criação centralmente induzida do Comité Olímpico e das Federações e na formação de grande número de novos clubes, particularmente de futebol: os 8171 praticantes da modalidade (em 220 clubes) em 1983, passam em 1986 para 15.999. Vários factores, como a guerra continuada a falta de quadros e algum voluntarismo, dificultaram a obtenção dos objectivos fixados mas, no essencial, a política desportiva governamental assentou em estratégias que assegurariam, a prazo, o desenvolvimento sustentável de um desporto com consistência programática, apostado na diversificação e no crescimento das práticas e dos praticantes.

As modificações políticas ocorridas na década de 90, na sequência da desagregação do bloco socialista à escala mundial e das alterações de rumo ideológico adoptadas pelo MPLA na governação do país, dando origem a novas estratégias para o desenvolvimento e uma revisão do quadro de alianças com outros países, produziu inevitavelmente uma ruptura no anterior sistema desportivo com a adopção de um novo modelo de desporto, com um Estado menos interveniente nesta área social.

Tutelado até 1989 por uma Secretaria de Estado da Educação Física e Desporto, e a partir desse ano por um Ministério da Juventude e Desporto, o sistema desportivo angolano está juridicamente enquadrado por alguma legislação regulamentadora de alguns aspectos sectoriais continuando, no entanto, sem dispor de uma Lei de Bases para o Desporto.

Hoje, o subsistema de desporto federado continua a ser o segmento determinante do sistema desportivo com vinte Federações (Andebol, Atletismo, Basquetebol, Boxe, Ciclismo, Futebol, Judo, Luta, Natação, Taekwondo, Ténis, Ténis de Mesa, Tiro, Vela, Voleibol, Caraté, Patinagem Xadrez, Desporto para Deficientes e Futebol de Salão), das quais quinze, as do programa olímpico, estão filiadas no Comité Olímpico Angolano.. Contudo, relativamente aos anos oitenta, o apoio governamental ao desporto, às suas organizações e às suas práticas é substancialmente diminuído por razões várias, de que se destacam em primeiro lugar o esforço de guerra e as novas opções políticas, e tem-se vindo a verificar uma redução sensível do número de competições e de praticantes, com o estreitamento de quadros competitivos mesmo em modalidades populares como o basquetebol, o andebol, e o hóquei em patins, e a quase extinção de outras modalidades como a vela e o voleibol. O futebol sénior masculino mantém, apesar de tudo, um quadro competitivo relativamente alargado, com catorze equipas de todo o país a disputar o chamado «Girabola».

Dados oficiais revelam que entre 1986 (um pico de cerca de 60.000 praticantes) e 1997 a quebra de praticantes operou-se a um ritmo de 10% ao ano, embora com alguns sinais de recuperação a partir de 1992 até 2002. A título de comparação, e para tornar mais clara a involução da prática desportiva interna, em 1987, segundo os números conhecidos, 21.371 praticantes participavam em competições organizadas em quinze modalidades, enquanto, em 2001, dezanove modalidades apenas movimentavam 16.195.

Mas é pelos resultados das equipas nacionais de Angola em competições internacionais que se pode medir ainda a vitalidade e a qualidade do desporto no país, mesmo tendo em conta a substancial diminuição da prática interna. O Comité Olímpico Angolano, criado em Fevereiro de 1979, tem assegurado a participação angolana em todos os Jogos Olímpicos, depois da independência. Assim, Angola esteve presente em Moscovo, Seul, Barcelona, Atlanta e Sidney, com a ausência em Los Angeles, pelas razões de ordem política conhecidas. Nos últimos Jogos, em Sidney, a delegação angolana contou com trinta e dois atletas em cinco modalidades e a equipa de basquetebol, verdadeira sensação no torneio olímpico, limitou-se a confirmar o seu valor, expressa no facto de ser hoje heptacampeã africana. Mas nas competições em 2003, por exemplo, também os júniores masculinos da modalidade seguem o passo, com um 13º lugar no último Campeonato Mundial da categoria, enquanto a equipa feminina sénior se sagrou quarta classificada no Africano realizado em Março, em Maputo. As boas classificações em competições continentais do andebol sénior feminino, em que o Petro de Luanda é, desde há anos, o crónico campeão africano de clubes, são outra marca forte da presença internacional do desporto angolano.

Vários títulos zonais africanos (particularmente no voleibol) e em competições diversas têm sido obtidos por atletas angolanos, incluindo, por exemplo, o judo, a vela, o xadrez, e o hóquei patinado, que tem participado com regularidade nos Campeonatos Mundiais, com resultados muito para além do medíocre (no penúltimo destes campeonatos, realizado em Oliveira de Azeméis, classificou-se em 9º lugar entre dezasseis concorrentes; já em 2005, no Mundial em San José, Califórnia, Angola ficou no grupo dos 5ºs classificados).

Os outros subsistemas do sistema desportivo ou não existem ainda, ou têm formas incipientes de organização, com excepção do desporto para deficientes, já federado e, inclusivamente, com um título mundial em salto em altura, conquistado em competição recente no Canadá.

Dicionário Temático da Lusofonia
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Categories: Desporto, Fotos, Vídeos
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1 Comentário para “Desporto em Angola”

  1. Suzana Teixeira diz:

    Gostei muito de saber um pouco mais da história do surgimento do desporto em Angola.

    Amei.

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