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Arte Portuguesa no Benim

Colocado por em Abr 23rd, 2010 na(s) categoria(s) Arte, Fotos, Vídeos. Pode seguir todos os comentários a este texto através de RSS 2.0. Pode comentar ou fazer trackback deste texto

A cidade de Benim, situada na actual Nigéria, era já antes da chegada dos Portugueses a capital de um reino em crescimento. O apoio que irão oferecer ao rei do Benim contra os monarcas rivais irá proporcionar-lhes a capacidade de se movimentarem livremente nesta área.

Assim se estabeleceu, sem intermediários, o trato com este povo, sendo simultaneamente reconhecida a sua perícia de artistas experimentados. De facto, os Portugueses tinham deparado com uma comunidade de artistas já estabelecida desde a segunda metade do século XIV, organizada em importantes corporações e vivendo em bairros próprios, que se dedicavam em especial ao trabalho do bronze, marfim, madeira, cerâmica e tecelagem. Os trabalhos em bronze, talvez os mais conhecidos, relatam factos importantes ocorridos no Reino e, por conseguinte, a presença dos Portugueses encontra-se também representada. Serão, contudo, objectos de marfim lavrado os primeiros artigos de encomenda a chegar a Lisboa nos finais do século XV, vindos da costa ocidental de África, primeiro da Serra Leoa e, depois, do Benim, distinguindo-se os segundos pela maior densidade decorativa.

Destas peças há notícia desde 1491 (Mota, 1975). Este tipo de objectos mandados executar segundo forma e motivos europeus, geralmente retirados de gravuras europeias, podiam englobar peças de uso mais comum como colheres (ou mais raramente garfos) ou de factura mais elaborada, como trompas de caça ou olifantes, taças, pixides e saleiros que se destinavam a enriquecer as colecções de bens exóticos, os Kunstkammer dos grandes da nobreza e do clero da Europa.

Esse precioso e considerável núcleo de marfins que se encontra actualmente disperso por todo o mundo, em grandes colecções públicas e privadas, denuncia claramente a sua estreita ligação às fontes europeias (em especial portuguesas) que os inspiraram. Neles figuram esculpidos todos os tipos de temas: religiosos, bélicos ou venatórios (em especial a caça ao veado, ao javali ou ao urso), associados a brasões, divisas e emblemas (com destaque para a cruz de Cristo e para a esfera armilar – emblema usado pelo rei D. Manuel I), ou ainda entremeados com motivos decorativos retirados da arquitectura europeia.

Nas colecções públicas portuguesas, destacam-se a requintada pixide esculpida com temática religiosa, pertencente ao Museu Grão Vasco de Viseu, e o esplêndido saleiro de marfim, pertencente ao Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa, que integra o grupo dos cerca de quinze saleiros da mesma produção actualmente conhecidos no mundo. Nessa peça, foram esculpidos cavaleiros e altos funcionários com indumentária e acessórios idênticos aos usados na época pelos Portugueses.

Deve-se a William Fagg, especialista nestes assuntos, a introdução, em 1959, da designação de afro-português para identificar este tipo de trabalho como resultante de uma produção definida para exportação, onde se combinam equilibradamente sobre o marfim formas e motivos europeus com elementos locais e um saber puramente africano.

Estes objectos figuram ainda como as primeiras respostas de um dialogo iniciado pelos Portugueses no início da sua fantástica viagem de redescobrimento do Outro e de outros mundos.

Dicionário Temático da Lusofonia
Texto Editores

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