A literatura é um conjunto de textos escritos (muitas vezes também fixados na tradição oral), esteticamente elaborados a partir da linguagem comum, que dão conta da especificidade cultural de uma comunidade.
A literatura portuguesa constituiu-se na base de um espaço geográfico uno, o do território português, mas alargou-se a várias partes do mundo, através da aventura marítima dos Descobrimentos Portugueses nos séculos XV e XVI, que se concretizou numa riquíssima literatura de viagens e teve como consequência a expansão da sua língua.
A história da literatura portuguesa acompanha a evolução estética da cultura ocidental, emergindo de uma matriz medieval de base latina a partir da qual se constitui e aperfeiçoa a língua literária, até aos séculos XVI e XVII, sendo também permeável à penetração popular, nomeadamente nos inícios da historiografia (com a figura determinante de Fernão Lopes e a sua capacidade de descrição das movimentações das massas sociais) e no teatro (cujo vulto mais notável é Gil Vicente, na comunicação da sabedoria tradicional da espontaneidade do povo).
A literatura portuguesa desenvolve, nas suas origens, um lirismo de intenso fulgor, com a poesia trovadoresca, e muito particularmente com as cantigas de amigo, que se prolonga na lírica camoniana e clássica de uma maneira geral, renovando-se a partir do Romantismo, com personalidades destacadas: Garrett e o nacionalismo romântico de expressão amorosa; Cesário Verde e o quotidiano urbano simultaneamente idealizado e banal; Antero de Quental e a dilaceração do pensamento implicado na existência concreta; Camilo Pessanha e o sonho da perfeição verbal na corrosão do tempo humano – e um grande número de poetas contemporâneos.
Luís de Camões (séc. XVI) e Fernando Pessoa (séc. XX) são, no entanto, considerados os maiores escritores da literatura portuguesa; de facto, o Modernismo encontra em Pessoa (fundador da revista Orpheu) uma expressão complexa e personalizada, já que a galáxia dos seus heterónimos (nomes de personalidades diferenciadas com as quais compôs a sua obra) constitui um fenómeno marcante na sua composição literária e na experiência humana correspondente, com resultados literários surpreendentes, que configuram uma autêntica ficção da arte de escrever.
Mas a ficção (especialmente o romance) conhece também particular brilho na literatura portuguesa. Desde Bernardim Ribeiro (séc. XVI), mas sobretudo a partir do Romantismo e do Realismo, aumenta a produção literária deste género, com crescente interesse do público e da crítica, e acentuando os aspectos diversos que a prosa narrativa tem incessantemente criado a partir da relação indivíduo-sociedade que caracteriza centralmente o apogeu do romance no século XIX: construção da intriga, acentuação da personagem, dominância social, problemática da existência, conflitos subjectivos, fluxo temporal, exercício de escrita, hibridismo de géneros, reescritas paródicas e descontrução do relato discursivo.
Escritores como Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Raul Brandão, Aquilino Ribeiro e, mais recentemente, Vergílio Ferreira, Agustina Bessa-Luís, José Cardoso Pires, José Saramago e António Lobo Antunes, são algumas das figuras mais emergentes neste capítulo, onde os contemporâneos se destacam pelo seu número e qualidade.
De entre os contemporâneos, salientam-se figuras de obra numerosa e repartida por diferentes géneros, especialmente a poesia, o romance e o conto; mas, em certos casos, também o teatro, a crítica, o ensaio e a escrita autobiográfica e diarística. Estão neste caso escritores já desaparecidos, mas que até há pouco tempo marcaram a cena intelectual portuguesa, com as suas personalidades multímodas e com a força diversificada do seu talento, de uma maneira geral empenhado em praticar uma aliança, porventura conflituosa, entre o trabalho poético e a existência concreta, e em afirmar a capacidade lúcida (isto é: inteligente e radiosa) da literatura para entender o real: Miguel Torga, Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Carlos de Oliveira e David Mourão-Ferreira.
Também nesse sentido se afirmam os corifeus da poesia contemporânea (cultores embora de outras formas de expressão literária), de entre os quais se destacam António Ramos Rosa, Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade e Herberto Helder.
Na prosa, dedicados a um tipo de ficção que reelabora a novelística tradicional para a aproximar de outros géneros (crónica, poema em prosa, e outros tipos de escrita estranhos à convenção literária), e praticando novas modalidades de articulação no discurso narrativo, emergem figuras femininas centrais: Maria Judite de Carvalho, Maria Velho da Costa e Maria Gabriela Llansol.
Fonte: Instituto Camões






