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Figuras de Estilo

 

Colocado por em Abr 4th, 2010 na(s) categoria(s) Figuras de Estilo, Fotos, Videos. Pode seguir todos os comentários a este texto através de RSS 2.0. Pode comentar ou fazer trackback deste texto

As Figuras de Estilo, também chamadas Figuras de Linguagem e Figuras de Retórica, são estratégias, formas de ornamentação do discurso, utilizadas por escritores e oradores para obter um efeito especial de significação, de adorno, elegância ou simples ênfase, de modo a tornarem mais sugestivas, expressivas e duradouras as suas ideias, os seus pensamentos, as suas mensagens, e provocar um efeito determinado na interpretação do leitor ou do ouvinte.

Assim, os artifícios e as técnicas discursivas não são exclusivas do texto literário, seja prosa ou poesia; são indispensáveis na própria comunicação, pois é necessário cativar e persuadir para mover à acção, tal como se pode verificar na publicidade, seja esta de carácter didáctico-pedagógico, ou de natureza puramente comercial.

O mais antigo tratado de estilística que se conhece é a Retórica de Aristóteles. A importância da comunicação oral nessa época era muito grande pois os assuntos públicos eram tratados nos foros públicos. Mesmo hoje, quem tem a seu cargo as deliberações dos países e os diversos partidos políticos, reconhece a necessidade de estruturar convenientemente os discursos, para que as suas mensagens sejam bem recebidas pelos cidadãos.

Desde a retórica clássica ao modernos manuais de estilística, a figura de estilo confunde-se ou inclui outras designações próximas: figura de pensamento (ou tropo), figura de construção, figura de linguagem, figura de sintaxe, figura de retórica, figura de expressão, figura de dicção, etc.

Dentro da designação geral de figuras de estilo, podemos distinguir mais em particular aquelas

1 – Figuras de Pensamento (tropos)
Incidem sobre uma invenção especial

2 – Figuras de Construção
Incidem sobre a morfossintaxe e afectam a ordem das palavras no discurso (elipse, zeugma, anáfora, pleonasmo, anástrofe, paralelismo, etc.)

3 – Figuras de Dicção
Incidem sobre a pronúncia das palavras (apócope, síncope, sinalefa, hiato, aliteração, onomatopeia, etc.)

«Em literatura o estilo é como o álcool para os corpos embalsamados: conserva-a. Toda a literatura que resiste à corrosão do tempo deve-o ao estilo. Homero, Cícero, Shakespeare, Camões, Voltaire, Tolstoi foram grandes estilistas. Quer isto dizer que o estilo seja uma arte? De modo algum. Mas sem estilo nenhuma obra se salva. Acresce que a nossa língua está tão pouco clarificada que apenas pensa com precisão e justeza quem escreve correctamente. Julgar que em nome duma postiça originalidade ou evidenciação do humano haja de se abolir a técnica é pueril. E fazer tábua rasa da experiência adquirida no domínio da expressão não pode deixar de representar um inútil, inglório e malogrado intento. A palavra é como o mármore na estátua; dar a essa matéria semblante de vida, curvas voluptuosas, sombras quentes, frémito, solidez, eis o difícil objectivo que não se alcança de golpe. Com verbo desordenado, segundo a flux apocalíptica da imaginação, só poderá obter-se uma turva e destrambelhada arte.»

Aquilino Ribeiro

As Figuras de Estilo costumam ser classificadas em três categorias:

a – Figuras de Pensamento (Tropos)
Comparação, Metáfora, Imagem, Alegoria, Ironia, Eufemismo, Disfemismo, Sinédoque, Metonímia, etc.

b – Figuras de Sintaxe ou de Construção
Elipse, Zeugma, Pleonasmo, Anáfora, Anástrofe, Hipérbato, Anacoluto, Assíndeto, Silepse, etc.

c – Figuras de Interrogação (Pergunta de Retórica)
Exclamação, Hipérbole, Apóstrofe, Prosopopeia (Personificação ou Animismo), Perífrase, Antítese, Oxímoro, Paradoxo, Gradação, etc.

No entanto, esta divisão está sujeita a variações, de forma a estabelecerem-se nexos semânticos e estruturais entre as várias figuras, pelo que Henri Suhamy, por exemplo, as agrupa em seis rubricas distintas:

1 – Figuras de Pensamento
Ironia; Asteísmo; Autocategorema; Epítrope; Paradoxo; Tácticas de Argumentação: Precaução, Rejeição, Antecipação, Correcção, Retroacção, Antorismo, Antiparástase, Apodioxe, Preterição, Associação, Comunicação.

2 – Tropos
Catacrese e Glossemas; Imagem, comparação e metáfora; Metonímia e Sinédoque; Perífrase; Tropos de Funções: Enálage, Hipálage, Implicação, Hendiadyn, Litote.

3 – Figuras de Repetição e de Amplificação
Repetição de Palavras: Epizeuxe, Anáfora, Epífora, Anadiplose, Simploce, Antanáclase, Epanalepse, Epanadiplose; Repetição de Sonoridades: Rima, Assonância, Aliteração, Apofonia, Paranomásia, Eufuismo, Poliptoto; Redundâncias: Pleonasmo, Batologia, Tautologia, Expleção; Paralelismo e Amplificação: Paradiástole, Hipozeuxe, Paráfrase.

4 – Figuras de Construção
Ritmo; Cláusula; Quiasmo; Antítese; Oxímoro; Paralelismo; Dissimetria; Inversão; Hipérbato; Anástrofe; Histerologia.

5 – Figuras de Realce
Hipotipose, Conglobação, Expolição, Onomatopeia, Harmonismo, Exclamação; Interrogação; Apóstrofe; Mitologismo; Antropomorfismo; Prosopopeia; Hipérbole; Litote; Tapinose; Eufemismo.

6 – Elipses
Elipse; Abreviação; Paralaxe; Braquilogia; Anacoluto; Zeugma.

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