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Arquivos da Categoria: Prosa

O País do Carnaval (II)

O País do Carnaval (II)

1Paulo Rigger, encostado à janela do hotel, lia os jornais da manhã. Estava no Rio de Janeiro. Sentia, entretanto, que a capital da República não era Brasil. Tinha muito das grande cidades do universo. E essas cidades não são cidades de países, são cidades do mundo. Paris, Londres, Nova Iorque, Tóquio e Rio de Janeiro [...]

A Conjura (I-1-2-3)

A Conjura (I-1-2-3)

1 Difícil dizer quando tudo começou. Mas tudo começou, é claro, muito antes desse dia dezasseis de Junho de mil novecentos e onze. Vavó Uála das Ingombotas diria que tudo começou no princípio dos tempos e que desde o princípio estava previsto que seria assim. Os acontecimentos se amarrariam uns aos outros – uns puxando [...]

Eclipse

Eclipse

1No dia em que a mãe saiu de casa, vestida de shantung escarlate e casaquinho cintado cor de marfim, levando consigo duas malas de cabedal depois de ter largado as chaves em cima da cama por fazer, cobertores revolvidos puxados para trás, deixando ver o lençol de baixo ainda com a marca leve do seu [...]

Parábola do Cágado Velho (5)

Parábola do Cágado Velho (5)

1Ulume, no cimo do morro da sua infância, pensava na insânia dos homens, opostos em brigas que ninguém entendia. Cada vez mais frequentes. Mas nem sempre os jovens eram desmiolados, às vezes davam lições aos mais velhos. Como quando destronaram o soba-cazumbi. Era no tempo do pai do seu pai. O soba era um homem [...]

A Varanda Do Frangipani: Estreia Nos Viventes

A Varanda Do Frangipani: Estreia Nos Viventes

1Este homem que estou ocupando é um tal Izidine Naíta, inspector da polícia. Sua profissão é avizinhada aos cães: fareja culpas onde cai sangue. Estou num canto de sua alma, espreito-lhe com cuidado para não atrapalhar os dentros dele. Porque este Izidine, agora, sou eu. Vou com ele, vou nele, vou ele. Falo com quem [...]

Coração Sem Abrigo (1)

Coração Sem Abrigo (1)

Que dia é hoje? Há quantos dias aqui procurámos abrigo, talvez da chuva, talvez do frio, talvez dos medos sem nome e sem rosto que povoam a noite? Devias ser tu a velar por mim, mas sou eu que fico de vigília, temendo que me privem da tua companhia, que é a única com que [...]

O País do Carnaval (I)

O País do Carnaval (I)

1Entre o azul do céu e o verde do mar, o navio ruma o verde-amarelo pátrio. Três horas da tarde. Ar parado. Calor. No tombadilho, entre franceses, ingleses, argentinos e ianques está todo o Brasil (Evoé, Carnaval!). Fazendeiros ricos de volta da Europa, onde correram igrejas e museus. Diplomatas a dar ideia de manequins de [...]

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