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Arquivos da Categoria: Poesia

Balada da Neve

Balada da Neve

  Batem leve, levemente, como quem chama por mim… Será chuva? Será gente? Gente não é, certamente, e a chuva não bate assim… É talvez a ventania; mas há pouco, há poucochinho, nem uma agulha bulia na quieta melancolia dos pinheiros do caminho… Quem bate, assim, levemente, com tão estranha leveza, que mal se ouve, [...]

Novíssimo Testamento

Novíssimo Testamento

Não fui eu que envelheci, juro, foi a esperança que apodreceu em mim, corpo desenterrado à espera da mortalha da lua como num macilento soneto ultra-romântico. A quem devo agradecer o bem e o mal incomensuráveis desta vocação versejante que me fulmina? A ninguém, talvez. Poderei agradecê-la à terra ou à aflição martirizada de meu [...]

Raiz de orvalho

Raiz de orvalho

Sou agora menos eu e os sonhos que sonhara ter em outros leitos despertaram Quem me dera acontecer essa morte de que se não morre e para um outro fruto me tentar seiva ascendendo porque perdi a audácia do meu próprio destino soltei a ânsia do meu próprio delírio e agora sinto tudo o que [...]

Hamlet declara-se a Ofélia

Hamlet declara-se a Ofélia

Quando eu entrar em ti verei um arco-íris empunhado pela rainha do Sabá virão ao meu encontro Ísis e Osíris e ouvirei a canção do Sabiá quando eu entrar em ti para tu vires comigo até ao reino que não há. Quando eu entrar em ti verei o Baragan onde voam os cardos e os [...]

Despedida

Despedida

Aves marinhas soltaram-se dos teus dedos quando anunciaste a despedida e eu que habitara lugares secretos e me embriagara com os teus gestos recolhi as palavras vagabundas como a tempestade que engole os barcos porque ama os pescadores Impossível separarmo-nos agora que gravaste o teu sabor sobre o súbito e infinito parto do tempo Por [...]

Anatomia

Anatomia

Como todos sabemos demasiado bem, às vezes o que importa não é a literatura e em qualquer encontro de escritores podemos aprender alguma coisa de anatomia humana pelo menos da parte em que se estuda a forma e o tamanho dos umbigos: Maiores ou mais pequenos, feios ou mais belos, situam-se no centro do universo [...]

O armário

O armário

Quando abrires o armário tem cuidado mais que versos falhados cartões melancolia pode sair de repente o que não esperas aquela cujo sol de um outro tempo quando olha para ti ainda te mata. Por isso tem cuidado: não abras as gavetas talvez Deus esteja escondido ao lado do retrato da primeira comunhão. Não abras: [...]

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