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Arquivo para: Maio, 2010

Parábola do Cágado Velho (4)

Parábola do Cágado Velho (4)

Ulume aproveitou bem aquele tempo de paz. Com a Muari, a primeira mulher, e mais os dois filhos, alargou as plantações. A lavra de mandioca foi limpa, a naka recebeu milho e batata e legumes, o gado multiplicou-se. As tradições foram deitadas para trás e também ele trabalhava nos campos, como as mulheres. A guerra [...]

A Chave

A Chave

I Não sei se lhes diga simplesmente que era de madrugada, ou se comece num tom mais poético: aurora, com seus róseos dedos… A maneira simples é o que melhor me conviria a mim, ao leitor, aos banhistas que estão agora na Praia do Flamengo — agora, isto é, no dia 7 de Outubro de [...]

A Pele Do Bombo

A Pele Do Bombo

Anos e anos a carretar leite, vila vai, vila vem, aborridos seus olhos de andar a rastos pela invariável fita do caminho, o cavalo do Cleto arriou. Era lento e preso da marcha, como se o arcabouço deprimido empreendesse fundir-se no repouso aliciador da terra. Tinham-lhe nascido alifates nos tendões e nas jogas, e com [...]

14 De Julho Na Roça

14 De Julho Na Roça

14 de Julho é a grande data. Ecoa na história com as mesmas vibrações que deve proferir sobre o mundo a trombeta de Josafá, em plena consumação dos séculos. A Marselhesa é o gemido humano chamado às armas. A queda da Bastilha é o pavoroso esboroamento do passado, batido pelo futuro. A pirâmide da opressão [...]

Singularidades De Uma Rapariga Loura

Singularidades De Uma Rapariga Loura

I Começou por me dizer que o seu caso era simples – e que se chamava Macário… Devo contar que conheci este homem numa estalagem do Minho. Era alto e grosso: tinha uma calva larga, luzidia e lisa, com repas brancas que se lhe eriçavam em redor: e os seus olhos pretos, com a pele [...]

A Varanda Do Frangipani: O Sonho Do Morto

A Varanda Do Frangipani: O Sonho Do Morto

1 Sou um morto. Se eu tivesse cruz ou mármore, neles estaria escrito: Ermelindo Mucanga. Mas eu faleci junto com meu nome faz quase duas décadas. Durante anos fui um vivo de patente, gente de autorizada raça. Se vivi com direiteza, desglorifiquei-me foi no falecimento. Me faltou cerimónia e tradição quando me enterraram. Não tive [...]

O Assobiador: O Encontro No Lago

O Assobiador: O Encontro No Lago

1 Ninguém reparara em KaLua. Entre um instante e o outro, desatara a defecar na parte lateral da igreja, junto aos pequenos arbustos. «Adoro cagar ao som de um bom assobio…», pensou, antes de se levantar. Tinha dois rolos e meio de papel higiénico nas mãos quando desatou a correr em direcção à casa de [...]

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