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Arquivo para: Abril, 2010

O Engenheiro Nórdico

O Engenheiro Nórdico

Antes de vir para Luanda, enviado pela companhia petrolífera onde trabalhava há mais de trinta anos, Jan Andresen, um engenheiro nórdico amante das palavras e dos prazeres simples da vida, com dois filhos já criados, como se costuma dizer, casado e bem casado com Ruth Andresen, foi, naturalmente, tirocinado acerca do novo país que iria [...]

Mónica (IV)

Mónica (IV)

Procurou Pedro à porta do hospital onde sabia que ele trabalhava. E isso fê-la recordar as batas brancas, o microscópio, o sangue, as pequenas lamelas rectangulares, e os frascos de boca larga e rolha de cortiça que chegara a encontrar no frigorífico, à espera que o pai ou a madrasta os dissecassem, o analisassem. Memória [...]

Raiz de orvalho

Raiz de orvalho

Sou agora menos eu e os sonhos que sonhara ter em outros leitos despertaram Quem me dera acontecer essa morte de que se não morre e para um outro fruto me tentar seiva ascendendo porque perdi a audácia do meu próprio destino soltei a ânsia do meu próprio delírio e agora sinto tudo o que [...]

Parábola do Cágado Velho (2)

Parábola do Cágado Velho (2)

Houve um tempo anterior a tudo, há sempre, não é mesmo? Munakazi era dum kimbo próximo, a duas horas de marcha na chana para ocidente. Era um kimbo mais pequeno e mais pobre, retirado dos caminhos principais que cruzavam a Munda. Ulume reparou nela em noite de festa. A rapariga estava sentada com outras à [...]

O Assobiador: A chegada de KeMunuMunu

O Assobiador: A chegada de KeMunuMunu

KeMunuMunu chegou nos meados da manhã, cessou o passo em frente à igreja, tirou o chapéu, coçou a cabeça e suspirou. Num sorriso breve, olhou para todos os lados que a sua vista pôde avistar. «Os reencontros são cá uma coisa!…», pensou. Havia pouca gente na rua; ao longe passavam os burros, satisfeitos. Os burros, [...]

O Anel de Basalto: O Grão-Mestre

O Anel de Basalto: O Grão-Mestre

1Ao aterrar no aeroporto da Valeta, sabia Teodósio que entrava no núcleo da empresa que lhe cabia executar, e que todos os passos lhe seriam apontados a partir daí. Atravessou um emaranhado de ruelas marginadas por casarões que ostentavam as pedras de muitas armas antigas, até desembocar numa praça onde as esplanadas regurgitavam de naturais, [...]

Uma estória canina

Uma estória canina

1Um rico que se preze, seja ele velho ou novo, tem que ter três coisas, pelo menos (além de muito cumbu, claro): cão, guarda pessoal e uma amante. Guarda e amante ele tinha, mas cão, não. Recusava-se terminantemente a ter bichos de qualquer espécie na casa oficial (era assim que ele designava a casa onde [...]

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