Dom Filomeno Vieira Dias e Dom Emílio Sumbelelo, bispos de Cabinda e do Uíge, respectivamente na qualidade de vice-presidente e de Secretário-Geral da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), representam a Igreja de Angola no IX encontro Internacional das Igrejas Lusófonas, a ter lugar a partir de amanhã, dia 2 de Julho, até ao dia 9 de Julho próximo, em São Tomé.
A Assembleia é subordinada ao tema “A Igreja e a luta contra a pobreza”, escolhido na sequência das conclusões que foram avançadas no último Sínodo Especial para o continente africano, que decorreu em Outubro do ano passado, em Roma.
Como se sabe, entre os vários pontos fundamentais tratados, o da pobreza mereceu também uma atenção especial dos padres sinodais, uma vez que, apesar das independências conquistadas, a África continua a registar muitos casos de pobreza e de miséria, apesar de ser um continente considerado como uma área geográfica rica em minerais e outros produtos, cujas receitas não têm sido bem investidas para o proveito de todos.
Desta vez, o tema volta a ser objecto de estudo, mas a nível dos países que falam a língua portuguesa, nomeadamente Angola, São Tomé, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Brasil, Portugal e Timor, depois de várias conferências a nível regional terem abordado a mesma questão nas suas assembleias.
No caso concreto de Angola, no passado mês de Maio, a CEAST participou nos trabalhos realizados no âmbito da IMBISA (Conferência dos Bispos da África Austral), na África do Sul, onde foram também tratadas questões ligadas à pobreza, na linha da Justiça e Paz. Concluíram, na mesma ocasião, que os bispos desta região devem empenhar-se muito mais para que a paz e a justiça marquem a cultura dos seus povos, de modo a que a África Austral tenha um novo rosto, próprio dos filhos de Deus.
Desta vez, o mesmo dossier será tratado pelos bispos lusófonos que, para além de reflexões pontuais, vão partilhar também as suas experiências, tendo em conta a actual situação social dos seus fiéis, que vivem ainda em condições de extrema pobreza, apesar de alguns sinais positivos que indicam certas melhorias, em alguns países. Porém, há ainda quadros caóticos em alguns dos países membros, caso flagrante da Guiné-Bissau.
Neste sentido, serão encontradas medidas eficazes, como o diálogo a ser promovido entre pastores e governantes, e a partilha de bens entre as igrejas, partindo da lógica que defende que “os mais ricos devem apoiar os mais pobres”.
Fonte: Jornal de Angola – 01/07/2010






